"qualquer tecnologia o suficientemente avançada é indistinguível da magia." - Terceira Lei de Clarke
A ciência sempre fascinou a humanidade e antes dela, a magia ocupava o papel de destaque no imaginário de crianças, adolescentes e apreciadores do fantástico mas com a evolução tecnologica, herança da revolução científica do século XVII o mundo passou a presenciar as maravilhas da tecnologia com a admiração dos crédulos que tem fé no incompreensível.
No fundo, para a maioria das pessoas, a única diferença real entre um médico e um curandeiro é que o médico cobra mais caro. As comprovações científicas que garantem a precisão de um médico em um tratamento ou de um cientista em uma nova descoberta nunca chegam de forma clara às massas. No final, a mesma fé que move a igreja, move a magia e move a ciência.
Esse fascínio por um poder que não se pode dominar com precisão fez surgir novas possibilidades de explicação para existência do fantástico. Em 1817 o clássico Frankenstein descrevia a criação de um monstro resultado das diversas ciências que assombravam o imaginário da época, diferente de maldições e pactos com o demônio o monstro criado por Mary Shelley era resultado de um conhecimento tecnológico avançado. Mais tarde, em 1886, é publicado O Médico e o Monstro onde Robert Louis Stevenson descreve os efeitos de um preparo químico especial, capaz de modificar física e psicologicamente um homem o transformando em uma fera. Os avanços tecnológicos proporcionados à humanidade em meados de 1700 através dos estudos de Benjamin Franklin (com a eletricidade) e Lavoisier (com a química) fez nascer um novo tipo de fantástico.

Dessa época em diante a ciência e seus avanços passaram a fazer parte do imaginário coletivo como um poder oculto que espreita a humanidade.
O passo seguinte dessa saga seria dado mais uma vez por uma mulher quando os estudos e descobertas de Marie Curie tornaram-se conhecidos e um pouco mais populares. Diferente da química que podia ser vista em frascos coloridos e da eletricidade que tinha seus efeitos facilmente notados pelas explosões luminosas e geração de calor, esse novo fenômeno chamado radiação, invisível aos olhos e com um poder desconhecido era de longe a mais fascinante justificativa para quem se ocupava em criar mitologias.
Dos estudos de Marie Curie, passando por Planck e Einstein, o poder da radiação e do átomo gerou nos anos que se seguiram uma série de novos seres mitológicos, novos deuses e novos monstros sustentados não pela magia mas pela ciência.
O Sopro de Deus
Em meados de 1900 a radiação e seus efeitos tornaram-se justificativa para explicar o que não podia ser explicado. Uma força desconhecida e poderosa que se propaga no espaço atravessando corpos a uma velocidade desconhecida, por motivos desconhecidos, de origem desconhecida e que e, por onde passa, modifica estruturas - O Sopro de Deus.
Não à toa, essa nova tecnologia originou uma série de novos seres míticos que hoje conhecemos como super-herois. Super-Homem, Hulk, Homem Aranha, Nuclear (Firestorm), Capitão Átomo e Dr. Manhattan são algumas das novas criaturas que tiveram a radiação como explicação para suas anomalias.
Hulk, o caso mais clássico e uma releitura do Médico e o Monstro de Robert Louis Stevenson, é uma criação de Stan Lee com poderes potencializados afinal, a energia de um átomo havia se mostrado muito maior que a energia de qualquer fórmula química. Não muito longe dessa ideia temos o Super-Homem, recebendo seus poderes do sol amarelo através da radiação por ele emitida e foi também a radiação a responsável por transportar as habilidades de uma aranha para um homem no caso do Homem Aranha.
Todos esses eventos são os reflexos da tecnologia de uma época com base na terceira lei do escritor Arthur C. Clarke, onde ele afirma que a mágica e por associação, o fantástico, são possíveis quando a tecnologia é o suficientemente avançada.
A verdade sobre a radiação é que se você for contaminado por ela você provavelmente irá morrer mas o problema é que os efeitos dela sobre os seres vivos não são totalmente conhecidos por cientistas e para isso basta citar os animais que nascem normais em regiões de Chernobyl onde os cientistas diziam ser estéreis. A maioria dos seres vivos da região ainda contém indícios de modificações genéticas causadas por essa energia mas há animais que nasceram onde não deveria haver vida.
O fato é que a radiação, a química, a biologia e a genética ainda escondem os seus mistérios alimentando o imaginário das mentes mais criativas.






















